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Elenco de “À Deriva” em Cannes

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Confira fotos do elenco de “À Deriva” em Cannes. Nas fotos: Vincent Cassel, Débora Bloch, Cauã Reymond com a namorada Grazi Massafera e Laura Neiva. Também estiveram em Cannes as produtoras Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck, os diretores Heitor Dhalia e Paulo Morelli, o produtor executivo Matias Mariani, a diretora assistente Joana Mariani e o montador Gustavo Giani.

Paulo Morelli, Cauã Reymond e Grazi Massafera

Equipe A Deriva

Vincent Cassel e Bel Berlink

Cauã Reymond e Grazi Massafera

Cauã Reymond e Grazi Massafera

Debora Bloch e Laura Neiva

Andrea Barata Ribeiro

Laura Neiva e Robert Pattinson

Andrea Barata Ribeiro, Laura Neiva e Debora Bloch

Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlink

Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlink, Vissent Cassel e Laura Neiva

Vicent Cassel e Laura Neiva

Heitor Dhalia, Debora Bloch, Laura Neiva, Cauã Reymond e Vicent Cassel

Debora Bloch

E Cannes chega ao fim…

domingo, 24 de maio de 2009

À Deriva

Último dia do festival. Cannes finalmente chega ao fim. Desculpe a ausência nesses últimos dois dias, mas foi literalmente impossível escrever por falta de forças.

Sinto como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Tanta coisa aconteceu que é impossível relatar tudo. E também não tem mais graça, já que o festival chegou ao fim.

Vou fazer um resumo rápido: a recepção ao “À Deriva” foi emocionante. O longa foi ovacionado por vários minutos. Foi muito, muito lindo mesmo. A platéia recebeu o filme com muita emoção. Muita gente chorou durante a sessão. Incrível mesmo!

Antes, eu já tinha sabido que o filme foi vendido para o mundo inteiro. O primeiro lugar a ser lançando, depois do Brasil, será na França.

As entrevistas no dia seguinte com a imprensa francesa foram maravilhosas. Muita gente fala que o filme tem a ver com o trabalho dos diretores Eric Rohmer ou François Ozon. Mas o Vincent Cassel disse que não é isso. Que o filme é muito mais sexy, mais brasileiro. Os europeus, aliás, se impressionaram com o aspecto sensual da narrativa. Muitos biquínis e corpos expostos numa paisagem paradisíaca. Búzios encontrou Cannes. Dois balneários que conversam e que tem muito em comum.

Não dá para esquecer que a musa de Búzios é a Brigitte Bardot. Lá, tem até uma estátua dela, que costumava passar as férias de verão no balneário.

Hoje, consegui relaxar pela primeira vez. E vou embora com a certeza de que tudo agora vai ser diferente. É um novo começo na minha vida, com novos desafios. O “À Deriva” abriu as portas para o mercado internacional.

Agora, é a vez do “Serra Pelada”. Um filme grande e desafiador. Se tudo der certo, se conseguirmos fazer um bom filme, espero poder voltar aqui em Cannes em breve.

Me despeço deste blog, no qual, na medida do possível, tentei de uma maneira direta passar um pouco da sensação do que é o Festival de Cannes. Missão, aliás, impossível, já que Cannes é tanta coisa.

Espero que vocês tenham gostado deste relato mínino e agradeço a audiência.

Hoje sai a Palma de Ouro. Minha aposta é para Un Prophèt. Também pode ser que o filme de Michael Haneke ganhe. A cerimônia começa na mesma hora que estarei embarcando de volta ao Brasil e ao trabalho. Aliás, Cannes é muito mais trabalho do que glamour – diria que é 80% trabalho e um pouco de diversão também. Tentei escapar das festa porque não ia chegar vivo ao final, se tivesse tentado fazer tudo o que tem para fazer por aqui.

Finalmente, quero aproveitar este espaço para agradecer as pessoas que me ajudaram a fazer este filme. É tanta gente que não é possível enumerar. Mas quem fez, sabe o que fez. Quero agradecer especialmente a Isabel Berlinck, Chico Aciolly, Guta Carvalho e Ricardo Della Rosa. Parceiros de toda hora e companheiros de batalha.

Obrigado! Vocês estão no meu coração.

E, por último, quero agradecer especialmente a Vera Egito, minha namorada e parceira criativa, que me inspirou a fazer este filme e o co-escreveu comigo. Vera e eu começamos a namorar de verdade a partir desta parceria criativa. Foi isso que nos aproximou e nos uniu. Depois do “À Deriva”, escrevemos juntos “Haiti”, “Os Orixás” e o “Serra Pelada”, meu próximo filme. E já estamos começando um novo roteiro.

Obrigado, Verinha, por toda a força, ajuda e compreensão nos momentos difíceis. É com você que eu quero compartilhar todas as coisas incríveis que aconteceram neste 62º Festival de Cannes.

Viva o amor. E viva o cinema.

Por Heitor Dhalia para o blog Diário de Cannes.

Apresentação de “À Deriva” em Cannes

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Confira abaixo matéria originalmente publicada na sessão especial do 62º Festival de Cannes do Portal Uol, em 21 de maio de 2009, às 19:50. E ainda fotos do tapete vermelho na noite de exibição de “À Deriva”.

SESSÃO DE GALA DE “A DERIVA” TERMINA COM MAIS DE CINCO MINUTOS DE APLAUSOS

Terminou com mais de cinco minutos de aplausos a sessão de gala do filme “À Deriva”, do brasileiro Heitor Dhalia, que compete na mostra Um Certo Olhar do 62º Festival de Cannes. A sessão, que aconteceu na noite desta quinta (21), era formada em boa parte por convidados da equipe e jornalistas. As atrizes Debora Bloch e a estreante de 16 anos Laura Neiva, protagonista do filme, choraram bastante emocionadas.

aderiva - aderiva

Antes da projeção, subiram ao palco Dhalia, os atores Vincent Cassel, Debora Bloch, Cauã Reymond e Laura Neiva. O francês Cassel foi o primeiro a falar, em português. “Boa noite, eu sou Vicente Cassel, ator ‘franco-brasileiro’. Estou aqui para defender esse maravilhoso cinema brasileiro. Algo de importante está acontecendo lá”, disse o ator, que também fala português no filme.

Dhalia disse que era uma grande honra estar em Cannes e dedicou a sessão à atriz Laura Neiva. Debora Bloch falou em francês com a plateia: “Espero do fundo do meu coração que vocês fiquem tocados pelo filme como nós ficamos durante as filmagens”.

Terceiro filme de Heitor Dhalia (de “O Cheiro do Ralo” e “Nina”), “À Deriva” é uma coprodução internacional entre O2 Filmes, de Fernando Meirelles, e a Focus Features (braço independente da Universal). O drama intimista conta a história de Filipa (Laura Neiva), uma adolescente que passa o verão em Búzios com os irmãos e os pais, que vivem uma crise no casamento. Ela vive seus primeiros amores e é forçada a amadurecer quando descobre o relacionamento do pai (Cassel) com outra mulher (Camila Belle, de “10.000 AC”).

“À Deriva” é amparado por uma bela fotografia, que dá um tom de memória e nostalgia ao filme, como se a história fosse contada por uma Filipa já mais velha, muitos anos depois, mas sem apelar ao recurso banal do flashback. Além do visual bonito, outro grande atrativo do filme é a atuação de Deborah Bloch, atriz pouco aproveitada no cinema, que tem seu melhor papel desde “A Ostra e o Vento” (1997), de Walter Lima Jr. Laura Neiva, que foi descoberta no site de relacionamentos Orkut, mostra segurança em seu primeiro papel no cinema e sua boa atuação deve render convites para novos trabalhos. “À Deriva” tem estreia no Brasil prevista para o dia 31 de julho.

Por THIAGO STIVALETTI.

Debora Bloch, Vicent Cassel e Laura Neiva

Equipe A Deriva

Equipe A Deriva

Debora Bloch, Vicent Cassel, Laura Neiva e Cauã Reymond

Equipe A Deriva

Vincent Cassel, Laura Neiva, Debora Bloch e Heitor Dhalia

“À Deriva” em Cannes

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Confira abaixo fotos extraídas do Portal UOL onde podemos ver os astros e parte da equipe do longa “À Deriva” em Cannes. O longa foi produzido pela O2 Filmes em parceria com a Universal Studios.

Elenco A Deriva

Debora Block, Vincent Cassel e Laura Neiva

Debora Block, Heitor Dhalia e Laura Neiva

Heitor Dhalia e Vincent Cassel

Debora Block

Elenco A Deriva

Laura Neiva, Debora Block e Vincent Cassel

O trabalho, a arte e o glamour

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nos últimos dias estive em lugares que nunca imaginei estar. Hotéis finíssimos, jantares, festas exclusivas, sessões de gala. Tudo muito formal: sapatos de salto, truta e vinho branco.

Carlton Hotel

Em todos os eventos, aceito os parabéns que me dão pelo fato de meus curtas “Elo” e “Espalhadas pelo Ar” fazerem parte da Semaine de la Critique. Tudo isso me fez ficar devagar um pouco. Esse estado começou na terça (19), durante o jantar da Un Certain Regard oferecido às equipes dos longas em competição na mostra. Estávamos no salão reservado do Hotel Carlton (foto). À mesa do “À Deriva” estavam sentados Heitor, Débora, Laura, Gustavo, Joana, Nathalia, Josefina e eu. Olhávamos uns para os outros e lembrávamos das semanas de suor em Búzios, um ano antes. Em uma lembrança ainda mais antiga, pensei nos meses de trabalho sobre o roteiro de “À Deriva”, que começou a ser escrito em 2005.

Debora Bloch e Laura Neiva

E os curtas… “Espalhadas pelo Ar” foi filmado pela Universidade de São Paulo, “Elo”, a partir de um prêmio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Pouco dinheiro, muita vontade.

O engraçado é que fazer um filme não tem nada a ver com todo o luxo de Cannes. Nada a ver. É uma aventura sem garantias e, quando nos lançamos a ela, a última coisa que nos vem à cabeça é um jantar no Carlton Hotel de Cannes.

Mas, lá estávamos nós.

Jantar "À Deriva"

E o que me deixa mais feliz é sentir que nem as encantadoras vitrines da Croisette, nem os glamourosos salões da Riviera, nem as entrevistas e sessões de fotos, nada disso chega perto da intensidade que é fazer um filme.

Todos esses eventos se tornam tediosos se comparados aos sets de filmagens, nos quais enfrentamos um dia de coração aberto, tênis nos pés e sanduíche para o almoço.

Por Vera Egito diretora dos filmes “Elo” e “Espalhadas pelo Ar” para o blog Diário de Cannes.

Tarantino dança no tapete vermelho. Cauã comemora aniversário. E amanhã é o grande dia: ‘À Deriva’ estréia no Festival de Cannes

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tarantino faz dancinha

Em Cannes, tudo acontece ao mesmo tempo. Hoje foi um dia intenso. Tarantino arrasou no tapete vermelho. Dançou com Mélanie Laurent, a protagonista de “Bastardos Inglórios”. Foi um show à parte. Ele dançou ao som de Pulp Fiction, na cena que o Travolta dança com a Uma Thurman. Depois de minutos dançando na frente dos fotógrafos, Tarantino começa literalmente a surfar no tapete vermelho.

Hoje, foi de longe o dia mais concorrido do Festival. Uma multidão do lado de fora esperava para ver Tarantino. Brad Pitt e Angelina Jolie, também muito aguardados, ficaram quase em segundo plano. Tarantino e Almodóvar conseguem chamar mais atenção que os atores hollywoodianos! O que é quase impossível. É engraçado de ver.

O filme é muito divertido. Com personagens cruéis e impagáveis. O coronel Landa é simplesmente sensacional. Um filha da puta completo. Me lembrou muito “Dr. Stranglove”, do Kubrick. Juro, só pensava no Peter Sellers. O filme é “very Tarantino”. Sem a mesma pulsação dos primeiros filmes, mas sempre muito bom. Tarantino é imperdível. Ainda mais em Cannes.

Irmãos Dardenne

Durante o dia, aconteceu talvez a melhor coisa do Festival: A masterclass dos irmãos Dardene. Não fui porque era na mesma hora da entrevista do “À Deriva”. O Gus, montador do filme, foi e amou. Vou pedir para ele escrever um pouco para gente. Os Dardenes são gênios do cinema. E, segundo o Gus, a masterclasse girou em torno da construção dramática da cena. De como construir tensão o tempo todo. Os Dardenes já ganharam duas Palmas de Ouro. Sou fã de carterinha. Dois mestres do cinema mundial. Vou esperar pelo livro e pelo DVD. O Gus saiu do evento entusiasmadíssimo. Não é para menos.

A agenda do dia foi: às 10h, reunião com a Celluloid Dreams Brasil (CDB), depois com uma produtora inglesa muito bacana. Aí fomos para o almoço do Un Certain Regard. Laura quase não consegui entrar porque a mãe não tinha credencial. O protocolo do festival adorou as duas atrizes do filme. Laura e Débora conquistaram simpatia por onde passam.

Depois tivemos entrevistas, mais reuniões e finalmente um jantar depois da sessão do Tarantino. No jantar, estava todo mundo. Cauã e Grazi chegaram hoje. Adorei que ele veio prestigiar o filme. E hoje é o aniversário de Cauã. Parabéns, Cauã, querido. Cantamos parabéns e celebramos o dia que vai chegar daqui a pouco.

Logo de manhã, nesta quinta, teremos o photocall de “Á Deriva”, com todo o elenco. São fotos antes do tapete vermelho, à noite. Antes, tenho que checar a cópia às 9:00 da manhã (logo mais). E já são duas da manhã!

Amanhã é o grande dia.

Hoje, insônia.

Por Heitor Dhalia para o blog Diário de Cannes.

Roberto Vitorino direto do Palais

terça-feira, 19 de maio de 2009

Los Abrazos Rotos

Almodóvar é daqueles diretores adjetivos. Você diz: “Ontem eu vi uma cena bem Almodóvar”, e as pessoas te entendem tranquilamente. Pois na tentativa de imitar a si mesmo, Almodóvar erra feio. “Los Abrazos Rotos” é uma versão pouco inspirada de seus traços mais marcantes, um filme sem seus rompantes recentes de genialidade, que deve divertir, mas não se tornar parte significativa de sua obra.

No final, ficou a sensação de eu ter visto o filme de um diretor imitando Almodóvar, travestido de Almodóvar, mas pouco convincente. Ele brinca de fazer um novelão mexicano, mas quase nunca escapa da armadilha na qual entrou. Fica no novelão.

Por Roberto Vitorino, produtor executivo de “A Girl and a Gun” (próximo filme assinado por Heitor Dhalia) para o blog Diário de Cannes.

Na noite de Cannes

terça-feira, 19 de maio de 2009

Iates

Cannes vive um paradoxo: o cinema está em tudo e o cinema é quase um detalhe. Centenas de pessoas se amontoam na frente ao tapete vermelho; mulheres espetaculares desfilam seus modelos milionários; aspirantes a paparazzi ganham uma grana tirando foto de desconhecidos nas ruas, para depois colocar em sites da internet; iates impressionantes ancoram a alguns metros da praia para o deleite de quem pode, Mas é à noite que tudo acontece de fato. As festas pagas pelos estúdios, para celebrar o lançamento dos filmes em competição, são disputadas na porrada e tem gente que faz qualquer coisa para entrar em uma delas e dividir a pista de dança com alguma celebridade bêbada, e quem sabe…

Bem, eu estive em algumas das festas mais bacanas deste ano. Desde o extremamente formal jantar oferecido para a equipe do filme de Jaques Audiard, “Un Prophète”, grande favorito à Palma de Ouro até agora, até num inferninho em um barco de produtores colombianos, que festejavam qualquer coisa que pudesse ser festejada. Na comemoração pelo filme de Audiard, em uma casa no alto de um pequeno morro de onde se via toda a cidade e seus barcos iluminados, o jantar foi servido às 21:30 para poucos convidados. Depois, o restante das pessoas (que só havia sido convidada para a festa e não para o jantar) chegava em ônibus fretados e bebia noite adentro. Tudo é superlativo em Cannes, e não seria demais dizer que este é o lugar do mundo com mais gente bonita por metro quadrado.

Crise & discrição

A crise mundial pegou o festival em cheio e criou um fato curioso. Enquanto que, no ano passado, a cidade estava consideravelmente mais cheia de turistas esbanjando seus lucros em carros caros e loiras cafonas, este ano tudo me parece mais discreto e elegante. Desde os cartazes dos lançamentos americanos até os vizinhos das mesas do lado, nos restaurantes da Croisette.

Marché du Film

Não precisa ser analista financeiro para perceber como a crise mudou a cara do festival. Os estandes do Marché du Film (foto) estão, em sua maioria, vazios. Os hotéis ainda têm vaga e alguns apartamentos na praia ainda exibem placas de aluguel, quando o festival deveria estar bombando. As festas, que fizeram parte do corte de despesas das produtoras, ainda existem, mas são extremamente mais selecionadas, o que pode ser bastante interessante se você for um dos poucos convidados.

Há dois dias, a Wild Bunch, importante agente de vendas internacional, famosa por fazer uma das festas mais “louquinhas” da Riviera, preferiu mudar seu esquema e alugou um casarão no centro da cidade, para fazer uma coisa mais rock de garagem em petit comité. Eu estava lá, com alguns amigos alemães, que ano passado disputaram a Palma de Ouro com “Valsa para Bashir”, na competição oficial, e, digamos, que a ressaca já virou um estado perene na nossa vida.

No dia seguinte, foi a vez de me levarem para a festa dos tais colombianos, em um dos restaurantes na areia da praia. Eles co-produziram “Viajes del Viento”, que concorre na mostra Un Certain Regard. Pude conhecer cada esquina escura e passagem secreta daquele lugar, com direito a participar de rodas de discussões calorosas com feministas bêbadas – e seus planos de emancipação das mulheres árabes.

Depois, fui convidado para o barco, onde rolou um after “solo para los amigos” e digamos que a noite em qualquer lugar do mundo só começa de verdade quando o Amauri Junior já foi dormir há muito tempo.

Antichrist, de Lars von Trier

Ontem, Lars Von Trier e seu “Anticristo” (foto) me deixou sem vontade de sair. O mergulho bizarro pelos sonhos de uma mulher enlouquecida pela morte do filho, uma mistura intencionalmente desagradável de surrealismo, expressionismo e filme B, dividiu a sessão de gala entre aplausos, ânsia de vômito e vaia. O filme foi inspirado em sua experiência recente com a depressão e conseguiu expor seus demônios e dividir com a platéia, sem egoísmo, toda a loucura e os medos de uma mulher.

Duas horas antes, Ken Loach havia recebido 10 minutos de aplausos no bem-humorado, mas não menos sério, “Looking for Eric”, com a participação do jogador de futebol francês Eric Catona, que foi ovacionado como nunca vi em Cannes.

Nesta semana, ainda me falta Almodóvar, Tarantino, a festinha privada da Sharon Stone e, claro, o filme do Heitor na quinta (21). A expectativa é grande. Eu vi o filme na sala de montagem sem qualquer correção de cor e trilha temporária e já gostei bastante. Um belíssimo trabalho do Heitor, do Ricardo, da O2 e da Focus. O elenco já está aqui e uma estrela será descoberta: Laura Neiva, uma menina de 15 anos com talento de gente grande.

Por Roberto Vitorino, produtor executivo de “A Girl and a Gun” (próximo filme assinado por Heitor Dhalia) para o blog Diário de Cannes.

Fim da primeira semana

domingo, 17 de maio de 2009

Agora - Alejandro Amenábar

Terminou a primeira semana do Festival de Cannes. Ainda vão passar por aqui Almodóvar, Tarantino e Ken Loach. Hoje, foi a vez de Alejandro Amenábar. Seu filme “Agora” (foto acima) narra a história de Hypatia, filósofa e astrônoma do Império Romano, e mistura o nascimento do cristianismo com a busca pela compreensão do universo. É uma produção grande e bem acaba, que passou por aqui fora de competição. Almodóvar prestigiou a sessão, em apoio ao colega espanhol Amenábar.

Tzar

Na mostra Un Certain Regard, dois filmes excelentes: o russo “Tzar” (foto acima), que narra a história de Ivan, O Terrível, e o francês “Le Pére de Mes Enfant”. O filme russo tem uma forte carga emocional e emocionou a platéia. O francês também encontrou forte conexão com o público ao retratar a história de um produtor francês (Humbert Balsan) que se suicidou há três anos. Aliás, jantei com uma produtora francesa que o conhecida. Ela tem, até hoje, o telefone dele no celular e não consegue apagar. O filme foi dirigido por Mia Hansen-Løve, amiga do retratado – portanto dá para imaginar como é o filme.

Tarantino fez a calçada do Carlton parar. Todo mundo queria ver o diretor tomando café no terraço do Hotel. Dizem que ele chorou na exibição do longa francês “Un Prophète”. O filme é a melhor coisa que vi no festival até agora. Uma obra-prima que levou 7 anos para ser concluída.

Outras considerações

O coreano “Mother” da mostra Un Certain Regard, exibido em dias anteriores, agradou bem mais que “Thirst” (coreano também), que concorre na competição principal.

Lascars

Na Semana da Crítica foi exibida a animação “Lascars”, dublada, entre outros, por Vincent Cassel. Ele chega por aqui nesta segunda-feira (18), para o lançamento do filme “À Deriva” que acontece na quinta (21), na mostra Un Certain Regard. Aliás, neste domingo começou a chegar a equipe do filme: Gustavo Gianini, montador, e Josefina, uma das nossas atrizes. Nesta segunda chegam a Laura Neiva, nossa protagonista, Débora Bloch e as produtoras Andrea Barata e Bel Berlink, da O2 Filmes.

clarinha_1anoHoje, no entanto, o evento mais importante do dia foi o aniversário de Clara Mariani, minha filhada e filha da Joana – diretora assistente do meu filme – e do Marcelo. Clara estava na barriga da mãe durante as filmagens do À Deriva. Ela acompanhou tudo de perto e agora comemorou seu aniversário de uma ano com a gente na Riviera Francesa. O aniversário foi no Hotel 3.14, na praia, em frente ao Carlton. Tive que sair no meio para um reunião com um distribuidor internacional e depois voltei para cantar parabéns.

Parabéns, Clarinha! Futura diretora por direito conquistado já na barriga da mãe!

Um abraço,
Heitor Dhalia

Especial para o blog Diário de Cannes.

Só imagens

domingo, 17 de maio de 2009

Heitor Dhalia no tapete vermelho   Fernando e Vera no tapete vermelho

Eu, e na sequência Fernando e Vera na prémière de “Un Prophète”.

Cartazes filmes brasileiros

Cartazes dos curtas “Elo” e “Espalhadas Pelo Ar”, de Vera Egito, e do longa “À Deriva”, no stand Cinema do Brasil

Nathalia na festa na praia

Nathalia Zemel, atriz de “Elo” e de “À Deriva”, na festa da capirinha, na praia.

Rua Cannes

O festival invade a rua.

Tapete vermelho festa de abertura    Detalhe figurino Vera Egito

o tapete vermelho do Palais des Festivals e detalhe do figurino de Vera Egito

Por Heitor Dhalia para o blog Diário de Cannes.




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