Nos últimos dias estive em lugares que nunca imaginei estar. Hotéis finíssimos, jantares, festas exclusivas, sessões de gala. Tudo muito formal: sapatos de salto, truta e vinho branco.

Em todos os eventos, aceito os parabéns que me dão pelo fato de meus curtas “Elo” e “Espalhadas pelo Ar” fazerem parte da Semaine de la Critique. Tudo isso me fez ficar devagar um pouco. Esse estado começou na terça (19), durante o jantar da Un Certain Regard oferecido às equipes dos longas em competição na mostra. Estávamos no salão reservado do Hotel Carlton (foto). À mesa do “À Deriva” estavam sentados Heitor, Débora, Laura, Gustavo, Joana, Nathalia, Josefina e eu. Olhávamos uns para os outros e lembrávamos das semanas de suor em Búzios, um ano antes. Em uma lembrança ainda mais antiga, pensei nos meses de trabalho sobre o roteiro de “À Deriva”, que começou a ser escrito em 2005.

E os curtas… “Espalhadas pelo Ar” foi filmado pela Universidade de São Paulo, “Elo”, a partir de um prêmio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Pouco dinheiro, muita vontade.
O engraçado é que fazer um filme não tem nada a ver com todo o luxo de Cannes. Nada a ver. É uma aventura sem garantias e, quando nos lançamos a ela, a última coisa que nos vem à cabeça é um jantar no Carlton Hotel de Cannes.
Mas, lá estávamos nós.

E o que me deixa mais feliz é sentir que nem as encantadoras vitrines da Croisette, nem os glamourosos salões da Riviera, nem as entrevistas e sessões de fotos, nada disso chega perto da intensidade que é fazer um filme.
Todos esses eventos se tornam tediosos se comparados aos sets de filmagens, nos quais enfrentamos um dia de coração aberto, tênis nos pés e sanduíche para o almoço.
Por Vera Egito diretora dos filmes “Elo” e “Espalhadas pelo Ar” para o blog Diário de Cannes.