Sensibilidade feminina conquista Cannes
sábado, 16 de maio de 2009Dois filmes dirigidos por mulheres estão sendo muito comentados aqui no festival. “Fish Tank”, da inglesa Andrea Arnold, despertou reações controversas. Algumas pessoas acham que é o melhor filme do festival, enquanto outras não conseguem se conectar com o drama sobre uma adolescente com personalidade forte e crises de ajuste com o mundo. Apesar de ser um filme pequeno, “Fish Tank” consegue alcançar outra dimensão, impulsionado por sua concisão dramática.
O filme “Bright Star”, da neozeolandesa Jane Campion, conquista admiração pela beleza. O filme é extremamente lindo e emocionante. Neste terceiro dia, a sensibilidade das mulheres conquistaram o Palais.

Outro filme feminino que promete esquentar o festival é “Ne Te Retourne Pas”, de Marina de Van, com Monica Bellucci e Sophie Marceau. As duas aparecem abraçadas e sem roupa na capa de uma famosa revista francesa com o seguinte título: “Les audacieuses”.
Neste sábado (16), dois filmes imperdíveis: “Un Prophete”, de Jacques Audiard, que dizem ser impressionante. Comenta-se que é um forte candidato à Palma de Ouro. E, pela manhã, fui convidado pela Universal Pictures para estréia de “Taking Woodstock”, novo filme de Ang Lee, diretor que eu particularmente adoro. Sigo com entusiasmo a carreira de Lee e adoro o jeito como ele pula de gênero para gênero, sempre de uma forma surpreendente. Depois da sessão, haverá uma festa do filme no Martinez Beach.

Hoje, fiquei bem feliz ao ver o catálogo da Focus Feature. “À Deriva”, filme que dirigi, está lá, ao lado dos longas de Pedro Almodóvar (Los Abrazos Rotos) e de Lejandro Amenabar (Agora) – os três filmes da Focus neste festival. “Los Abrazos Rotos” e “À Deriva” disputam prêmios: o primeiro na mostra competitiva e o que dirigi na mostra Un Certain Regard. Não poderíamos estar em melhor companhia.
Martin Scorcese esteve hoje no salão de imprensa. Seu debate girou em torno do cinema de autor. Scorcese transita como ninguém entre o sistema de produção hollywoodano e o cinema de autor, por isso a discussão foi bastante interessante. Scorsese buscou na história do cinema as resposta para o futuro incerto do cinema atual. Na minha opinião, os autores sempre vão existir. E uma indústria existe quando existe uma necessidade. As mudanças virão, mas as pessoas continuarão querendo assistir a boas histórias.
Caminhando pela Croisette, uma surpresa. Um Transformer bem na frente do Hotel Carlton. Como todos os anos, Cannes é uma plataforma para lançamento de grandes filmes. A imagem é engraçada. Um robozão bem na frente de um clássico hotel francês. Hollywood e Cannes têm um antigo namoro. Admiram um ao outro e competem entre si. Uma relação de amor e ódio? Não diria tanto. Dois pólos mundiais do cinema que, cada vez mais, interagem e se comunicam o tempo inteiro.
Eventos do dia: o almoço da Semana da Crítica e a festa Caipirinha Brasil. O almoço aconteceu bem na frente da praia, com vários navios, iates e veleiros ao fundo. Fomos conferir e foi bem divertido. Conheci o diretor Eicke Bettinga e a equipe de “Together”, curta-metragem alemão. Uma turma bem bacana.
Uma curiosidade: o artistic director da Semana da Crítica, Jean Cristophe Berjon, é fã de “O Cheiro do Ralo”. Assistiu ao filme três vezes e ficou bem feliz de me ver em Cannes. E eu, claro, fiquei feliz que ele gostar tanto do Cheiro. Bem legal. Fomos muito bem recebidos mesmo. Até porque a Vera é a convidada especial da Semana da Crítica.
O segundo evento do dia foi a Caipirinha do Brasil. Evento também na praia. Foi bem legal, com forte presença internacional este ano. Conversei bastante com a russa Nadia Turincev, que tem uma produtora na França. Foi ela quem levou meu primeiro longa, “Nina”, para o Festival de Moscou. Lá, o filme ganhou o prêmio da crítica.
Por Heitor Dhalia para o blog Diário de Cannes.




